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Relatórios

O Fim Silencioso da Entrada de Fone nos Telefones Premium

Em 2026, zero telefones topo de linha acima de US$ 800 vêm com uma entrada de 3,5mm. Por que aconteceu, o que a substituiu e o que os audiófilos ainda ganham com a mudança.

Buğra Sözeri·

No fim de 2025, nenhum telefone topo de linha acima de US$ 800 vinha com uma entrada de fone de 3,5mm. A transição que começou uma década atrás com o iPhone 7 em 2016 — de forma controversa, com o famoso enquadramento de "coragem" — terminou em silêncio no segmento premium em 2025. O nível intermediário (Pixel 9a, Galaxy A56, Motorola Edge 50) ainda a traz; a faixa de entrada (abaixo de US$ 400) quase universalmente a manteve. Mas a migração nos topo de linha está completa: Apple, Samsung, Google, OnePlus, Xiaomi, Vivo e Oppo todos a removeram de seus SKUs de US$ 800+ até o fim de 2025.

A pergunta que vale a pena fazer nove anos após o iPhone 7 não é se a entrada deveria ter ficado — esse argumento acabou — mas o que de fato perdemos e ganhamos quando ela saiu.

O que a perda custou aos usuários

Menos do que o barulho em torno dela sugeria. Um adaptador DAC USB-C custa US$ 10–US$ 30 no varejo e entrega som mensuravelmente melhor do que a entrada interna de quase qualquer telefone já entregou. O Hiby FC4 (US$ 35) produz um sinal mais limpo do que qualquer iPhone 6S jamais conseguiu, e o adaptador USB-C para 3,5mm da Apple (US$ 9) é — de forma embaraçosa — projetado a um padrão que as entradas internas da maioria dos Androids não conseguia igualar. Então a perda é de conveniência, não de qualidade de sinal.

Três atritos reais permanecem:

  • Carregar o adaptador: é mais uma coisinha para perder. A maioria dos usuários compra três ao longo da vida de um telefone.
  • Usar fones com fio enquanto carrega: exige um divisor USB-C (US$ 20). Resolvível, mas feio.
  • Latência em contextos de áudio profissional: músicos usando interfaces de guitarra ou monitorando através de um telefone se beneficiam de um caminho analógico com fio. O DAC USB-C funciona, mas adiciona 5–10 ms de latência de conversão.

O que a substituiu

  • Bluetooth LE Audio com o codec LC3 — o padrão moderno de áudio Bluetooth. Menor consumo, suporte a broadcast (Auracast), latência abaixo de 100 ms com boas implementações. Em 2026 o LE Audio está em todo telefone topo de linha e na maioria dos fones de US$ 200+.
  • DACs USB-C — Hiby, FiiO, AudioQuest DragonFly. Universalmente melhores que a entrada interna de 3,5mm de qualquer telefone anterior a 2020. Um adaptador de US$ 30 supera o DAC interno de um telefone de US$ 1.200.
  • Áudio sem fio lossless — Snapdragon Sound com aptX Lossless no Android; lossless da Apple via USB-C com fio no iOS. De nicho, mas real para audiófilos que se importam.
  • Fones USB-C com fio — existem (o Beyerdynamic DT 700 PRO X tem USB-C; os próprios EarPods USB-C da Apple são surpreendentemente bons por US$ 19). Mercado de nicho.

O que se perdeu

  • Atrito: plugar é mais rápido que parear. Sempre foi. O tempo de 2 segundos para parear não é ruim, mas o tempo de 0,5 segundo para plugar era melhor.
  • Sem carregar: o áudio com fio não precisa de baterias, nunca morre, nunca precisa de atualizações de firmware.
  • Longevidade: um par de fones com fio de US$ 300 de 5 anos ainda funciona num telefone novinho via adaptador. Um par de fones sem fio de US$ 300 de 5 anos (por exemplo, o Sony WF-1000XM4 de 2020) frequentemente não fará multipoint com os padrões de SO atuais, pode não receber atualizações de firmware e está chegando ao fim da vida da bateria.
  • Compatibilidade universal: uma entrada de 3,5mm funcionava com todo dispositivo feito nos últimos 60 anos. Sem app, sem firmware, sem pareamento.
  • Simplicidade para crianças e idosos: parear continua sendo uma experiência não trivial para usuários que não nasceram na era da tecnologia.

O que se ganhou (além da frase de marketing)

  • Baterias maiores: uma entrada de 3,5mm custa ~3 mm² de espaço de placa interna e ~2 mm de profundidade. Esse espaço, multiplicado pelo volume liberado, foi para baterias maiores. Os topo de linha modernos têm, em média, capacidade de bateria 16–22% maior que os equivalentes da era de 2016.
  • Melhor resistência à água: uma porta removida é um problema de vedação resolvido. As certificações IP68 são universais nos topo de linha agora; em 2016 eram exclusivas do premium.
  • Design industrial mais limpo: uma porta a menos para projetar ao redor.
  • Melhores DACs nos adaptadores: separar o DAC do telefone viabilizou DACs audiófilos reais na faixa de US$ 30–US$ 300.

A mudança real

A entrada não desapareceu porque os fabricantes a odiavam. Ela desapareceu porque o espaço interno do telefone é o imóvel mais disputado da eletrônica de consumo. Uma entrada custa ~3 mm² de espaço de placa e ~2 mm de profundidade. Esse espaço foi para baterias maiores — veja nosso relatório de bateria silício-carbono — para melhor resistência à água, para módulos de câmera adicionais. A troca foi engenharia sem sentimentalismo.

Para os usuários que se importam, um DAC USB-C de US$ 30 é a resposta. Para os que não se importam, AirPods Pro 3 e Pixel Buds Pro 2 são agora genuinamente excelentes. A era do áudio com fio terminou em silêncio porque, em 2026, as alternativas são boas o suficiente.

Veja o nosso guia dos melhores fones sem fio de 2026 para as escolhas atuais de ANC, ou o mergulho profundo de codec e latência do AirPods Pro 3 para os dados de áudio sem fio.

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